Blogs > Blog do Tênis
A-  A+
Por José Nilton Dalcim - 22 de setembro de 2014 às 21:18

Numa temporada cheia de novidades, o circuito masculino pode conhecer um novo top 20 nos primeiros meses de 2015. Ou antes. O candidato se chama David Goffin, um belga que fará 24 anos dentro de três meses e que não chega a ser uma novidade. De alguma forma, no entanto, a promessa que pintou duas temporadas atrás encontrou o árduo caminho das pedras.

Mesmo sem ter ainda derrotado um adversário top 10 – falhou nas 11 tentativas -, Goffin está perto de reescrever a história do tênis de seu país. Ao conquistar seu segundo ATP no curtíssimo período de 60 dias, em pisos distintos como o saibro de Kitzbuhel e o sintético de Metz, ele já é o segundo belga com maior quantidade de troféus, superado apenas por Xavier Malisse, e está prestes a se tornar o quatro a atingir o top 30. O recordista é Malisse (19º), seguido por Olivier Rochus (24º) e Kristof Vliegen (30º). A euforia é evidente na imprensa local, onde o que não faltaram nesta segunda-feira foram análises otimistas.

O mais interessante de tudo é que os próprios jornalistas belgas concordam que ‘Le Goff’ não possui um golpe espetacular. Sempre teve a devolução de saque e o jogo de pernas como grandes atributos. A principal evolução certamente foi o serviço, que ficou mais contundente apesar da estatura de 1,80m. Seu tênis também está mais agressivo, daí o sucesso na quadra dura. Ainda pode melhorar muito na rede, porém é unânime que a parte mental faz toda a diferença. Segundo especialistas belgas, ele mudou e se mostra hoje mais sereno, aceita os momentos difíceis do jogo e acha soluções.

Detalhe curioso é que aquele Goffin que surpreendeu o circuito em 2012, quando entrou de “sortudo” em Roland Garros e atingiu as oitavas de final, não mudou nada no seu time. Continua a trabalhar com o conselho de técnicos da Federação Belga, que lhe dá forte apoio desde os oito anos, orientado pelos pouco conhecidos Patrick Meur e Thierry van Cleemput.

Goffin começou esta temporada como 113º do mundo e nada parecia indicar que iria dar uma guinada completa. Venceu então três challengers no saibro e emendou o título de Kitzbuhel. Ganhou 34 de seus 36 últimos jogos, com 17 em 19 em ATPs desde a derrota para Andy Murray em Wimbledon. Voltou a brilhar em Metz, eliminando Jo-Wilfried Tsonga, caprichosamente o 11º do ranking, e depois Gael Monfils. Essa incrível sequência o levou ao 32º posto desta segunda-feira.

Mais relevante: não tem absolutamente mais nada a defender até fevereiro, está a 600 pontos do 20º colocado e irá fazer uma longa sequência de ATPs 250 e 500 – ainda aguarda lugar em Xangai e Paris -, sem falar que já tem vaga direta no Australian Open. Uma nova ascensão parece inevitável. O tênis masculino definitivamente não é mais o mesmo.

E mais
* Goffin é apenas o quarto tenista nascido nos anos 1990 a ganhar mais de um título de nível ATP, seguindo Milos Raonic (6 troféus), Grigor Dimitrov (4) e Bernard Tomic (2).
* Oito torneios neste ano foram vencidos por jogadores nascido a partir de 1990.
* Goffin é natural da cidade de Liège, a mesma de Justine Henin. Começou por influência do pai, que é treinador de tênis.
* Na adolescência, David tinha fotos de Roger Federer, seu grande ídolo, na parede do quarto. Realizou o sonho de enfrentar o suíço em Roland Garros de 2012.

P.S.: Conforme era mais do que previsível, a França escolheu o saibro para enfrentar a Suíça na final da Copa Davis, o que reforça o absoluto equilíbrio no estádio coberto de Lille.


Por José Nilton Dalcim - 18 de setembro de 2014 às 19:22

O Brasil terá de ir à Argentina na estreia da Copa Davis, em março de 2015. Tarefa que pode ser difícil se eles contarem com força máxima, ou menos complicada se forem de saibro e com tenistas de médio escalão. O sorteio do Grupo Mundial não foi bom, porque não jogaremos em casa, mas ficou longe de ser um desastre.

O histórico recente da Argentina na Davis é respeitabilíssimo. Entre 2010 e 2013, fez quatro semifinais consecutivas. Nesse caminho, ganhou apenas duas vezes fora de casa e em piso adversário (Suécia e Rússia, em 2010), tendo perdido para França, Sérvia e República Tcheca como visitante e outra para os tchecos, no saibro de casa.

Del Potro jogou pela última vez na semifinal de 2012, em Buenos Aires, quando só fez uma partida e foi substituído por Carlos Berlocq. Desde então, o time argentino vinha se virando com Berlocq e Juan Monaco, tendo sofrido também a aposentadoria de David Nalbandian no ano passado. Dessa forma, em 2014, usou Horacio Zeballos e Eduardo Schwank, mas ganhou a ascensão de Leo Mayer. Outra opção agora é Federico Delbonis.

Como Mayer é hoje 25º do mundo, tudo me leva a crer que los hermanos irão optar pelo piso duro para enfrentar o Brasil. É também a quadra predileta de Delpo, que continua sem previsão de volta ao circuito. Seria um time difícil de os brasileiros derrotarem, com chance real sempre nas duplas, especialidade que a Argentina ficou um tanto órfã (o melhor é Maximo Gonzalez, 55º, seguido por Zeballos, 65º).

Se Del Potro não jogar – ou se eles escolherem saibro -, o quadro muda bastante. Ainda que Berlocq e Delbonis tenham ranking superior a Bellucci, são adversários ‘ganháveis’ em qualquer quadra. Então, há de se esperar. De qualquer forma, reserve a passagem. Na pior das hipóteses, vale o turismo.

Os outros – Grã-Bretanha x EUA e Sérvia x Croácia são certamente os mais interessantes confrontos da primeira rodada de 2015.

Primeiros países a disputar a Davis em 1900, britânicos e americanos se cruzam pelo segundo ano seguido na rodada de abertura. Neste ano, Andy Murray e James Ward venceram no saibro de San Diego. O que farão agora? Grama? Repetem o saibro? Já Djokovic e Cilic devem liderar seus times num duelo com pequeno favorito dos sérvios.

França e Suíça, que decidem o título deste ano, terão de jogar fora, mas não parece haver perigo desde que joguem com sua maior força. Os franceses vão para a Alemanha e os suíços, provavelmente ao saibro belga.

Curiosidades – Sinal dos tempos, Rússia e Portugal jogaram para não cair para a terceira divisão. Em casa, os russos venceram por 4 a 1. Na mesma triste situação está a Suécia, que escalou Christian Lindell mas perdeu da Romênia e vai encarar a Letônia de Ernests Gulbis em outubro para ver quem desaba para o zonal 2 europeu.

Nas Américas, o México de tão vasto e milionário calendário de torneios conseguiu perder para Barbados e assim permanecerá na terceira divisão. E o Chile, vivendo terrível entressafra, derrotou o Paraguai no duelo que valia queda para a quarta divisão!


Por José Nilton Dalcim - 16 de setembro de 2014 às 19:55

Um fato me chamou atenção logo após o US Open. O atual número 10 do ranking, o búlgaro Grigor Dimitrov, atingiu a casa dos 3.710 pontos nas últimas 52 semanas. Me pareceu de cara uma marca expressiva. Ao longo de 2014, o máximo que o número 10 havia obtido eram 3.150, em julho, com Andy Murray na posição.

Solicitei checagem, mas a ATP ainda não respondeu. Desde que a entidade mudou a pontuação para o formato atual, a partir de janeiro de 2009, tudo indica que este é o mais forte dos top 10. Em abril daquele ano, Gael Monfils tinha 3.600 pontos nessa posição, o que deveria ser até então a melhor performance. Para se ter uma ideia da diferença, em julho de 2011 Andy Roddick somava “apenas” 2.100. No ranking final de 2012, o 10º colocado era Richard Gasquet, com 2.500; e no que encerrou a temporada do ano passado, Jo-Wilfried Tsonga aparece com 3.065.

Isso mostra o inusitado equilíbrio que o ranking masculino atinge numa de suas mais concorridas temporadas. A distância entre Dimitrov e o quinto do mundo, David Ferrer, é inferior a 800 pontos, bem menos do que a vantagem que o búlgaro tem para Ernests Gulbis, 13º, que supera a casa dos 1.000.

O ranking da temporada, que considera somente a pontuação desde janeiro, deixa isso ainda mais claro. Nos dois últimos anos, o oitavo classificado para o Finals chegou a Londres com cerca de 3.400 pontos. No momento, estima-se que a linha de corte será muito maior, bem perto da casa dos 4.500, talvez dos 4.700.

E a melhor notícia: um novato já se garantiu (Marin Cilic) e outros três têm grande chance de jogar o Finals: Kei Nishikori, Milos Raonic e o próprio Dimitrov. Eles podem tirar ‘medalhões’ como Murray, Tsonga, Tomas Berdych e David Ferrer, o que seria uma tremenda renovação para o torneio que encerra a temporada.

Treino de luxo – A federação da Ìndia contratou Tony Roche para a pré-temporada que os melhores tenistas nacionais farão em dezembro. Os jogadores serão reunidos em Bangalore para oito dias de trabalho. Roche treinou nada menos que Roger Federer, Ivan Lendl e Patrick Rafter.

Bola fora – A desistência de última hora de Stan Wawrinka deixou os organizadores do ATP de Metz enfurecidos. O suíço avisou por email na sexta-feira, quando começaram os jogos da Copa Davis e um dia antes do sorteio da chave, que é o prazo regulamentar. A imagem do número 4 do mundo foi usada em toda a publicidade do torneio. Os franceses querem atitude firme da ATP.

Desafio – O internauta Norbert Goldberg faturou o desafio lançado para a Copa Davis e receberá a camisa Wilson autografada por Bruno Soares. Ele acertou o placar final dos três confrontos sugeridos (considerei correto 3 a 2 para o Brasil), empatando com Rafael Benthien, mas levando a melhor na pergunta desempate sobre a quantidade de sets disputados.