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Por José Nilton Dalcim - 30 de outubro de 2014 às 23:45

Há dois excelentes motivos para se ficar de olho em Roger Federer nesta sexta-feira nas quartas de final do Masters 1000 de Paris.

Se vencer, o suíço permanece na luta pela liderança do ranking e, mesmo que não ganhe mais partidas em Paris e veja Novak Djokovic novamente campeão em Bercy  no domingo, ainda terá chance matemática de recuperar o número 1 durante o Finals de Londres.

Se vencer, Federer também define a lista de participantes na arena O2, já que desclassificaria definitivamente Milos Raonic e daria as três vagas restantes para Kei Nishikori, Tomas Berdych e David Ferrer.

Caso Raonic finalmente quebre a série de seis derrotas para Federer – perdeu todos os cinco sets disputados neste ano -, a briga para chegar a Londres ficará bem interessante. Nishikori ainda manterá chance mesmo com derrota para Ferrer – somente Raonic campeão, Ferrer vice e Berdych semi tiraria seu lugar -, enquanto o espanhol teria de ganhar de qualquer jeito. Berdych por sua vez precisa somente derrotar Kevin Anderson para se garantir.

E o que aconteceu até agora em Paris? Djokovic fez duas boas partidas, ainda que não esteja sequer nos 75% de sua capacidade, e reencontra o incrível Murray, grande sensação do circuito desde o US Open, que atropelou Grigor Dimitrov. No caminho do cabeça 1, estão Ferrer e Nishikori. O primeiro parece ter reencontrado motivação; o outro tem sofrido em seus jogos. Venceu hoje Jo-Wilfried Tsonga numa partida sofrível. Estou achando que Tsonga nem joga a final da Copa Davis.

Berdych x Anderson foi o que restou de um grupo fraco da chave, em que Wawrinka causou nova decepção. A vitória esteve nas mãos contra Anderson – alguém que sempre lhe dá dores de cabeça – e mostra falta de confiança  expressiva. Federer não vem jogando um primor, mas é favorito diante de Raonic, outro que não está fazendo o que pode numa quadra dura coberta.

Ranking – Nadal garantiu o terceiro lugar do ranking até o fim da temporada, mas pode ficar ameaçado por Wawrinka e principalmente Murray. Se o britânico vencer Paris e Londres, numa hipótese ousada, terminará 2014 apenas 40 pontos atrás de Rafa.


Por José Nilton Dalcim - 26 de outubro de 2014 às 23:42

“O número 1 é tudo no tênis”. A frase de Roger Federer, dita neste domingo, mostra claramente o quão importante para qualquer jogador é atingir o topo do ranking. E o título, até certo ponto tranquilo e sem sustos, que ele confirmou dentro de casa, na Basileia, teve o efeito esperado. Ou seja, o suíço pode retomar a liderança na próxima segunda-feira, antes mesmo de o Finals de Londres encerrar a temporada.

É necessário ler o regulamento para entender isso. A ATP adota desde o ano 2000 a retirada dos pontos do Finals do ano anterior imediatamente após Paris. Dois objetivos: igualar o ranking da temporada com o ranking tradicional de 52 semanas e dar o clima de suspense e emoção em Londres, caso exista a possibilidade de briga pelo posto. É exatamente o caso.

Federer aparecerá nesta segunda-feira 490 pontos atrás de Novak Djokovic no ranking da temporada. Isso quer dizer que ele poderá ultrapassar o sérvio caso seja campeão e Novak, semi. Ou que chegue à final de Bercy e Djokovic caia até as oitavas (terceira rodada). Não são combinações fáceis, mas possíveis. Nesses dois casos, Federer será novamente o líder do ranking na lista de 3 de novembro, seis dias antes de Londres começar.

Por outro lado, o suíço precisa pelo menos atingir a semi em Paris para garantir que haverá luta pela liderança no Finals, considerando-se que Djokovic é forte candidato a repetir a conquista do ano passado no Masters 1000 francês. A chave na teoria ajuda Federer, que pegou adversários mais tranquilos que Nole, sem falar que o sérvio não joga desde a derrota na semi de Xangai para o próprio vice-líder.

Fatos sobre a conquista de Federer:
- Ele atinge seis torneios em que conquistou pelo menos seis troféus: Finals, CIncinnati, Dubai e Basileia e os heptas de Wimbledon e Halle.
- Agora são 66 vitórias e10 derrotas em 2014. Com isso, faltam apenas 11 para atingir a 1.000ª da carreira.
- Este foi o 82º troféu, 12 atrás de Ivan Lendl, e a 123ª final, a 23 do mesmo Lendl.
- Na estreia de Paris, Federer disputará o 1.215º jogo profissional e igualará Guillermo Vilas, ficando atrás de Lendl e Connors.
- Com os dois tiebreaks vencidos na semana, seu percentual de aproveitamento sobe para 65,2% (366 em 561), o maior da Era Profissional.

Grande feito – Espetacular mesmo foi a virada, as sucessivas reações de Andy Murray diante de Tommy Robredo, dois jogadores que costumam se empenhar até o limite das forças, ainda que não joguem o melhor tênis que podem em boa parte do tempo. O campeão de Wimbledon ainda está tecnicamente aquém de sua capacidade, porém ao menos mostrou nesta incrível série de três títulos que conquista em cinco semanas um notável preparo físico e mental.

Está um pé no Finals, e será ótimo se confirmar a vaga agora em Paris, porque isso pode lhe dar a motivação e a confiança para começar 2015 com força total. Sem falar, é claro, que Londres ganharia qualidade. Temos agora seis jogadores disputando quatro vagas, com muita chance para Murray e Nishikori e pouca para Milos Raonic e Grigor Dimitrov, que necessitam chegar no mínimo à final em Bercy. No meio termo, estão David Ferrer e Tomas Berdych.

Ela de novo – Cingapura, por sua vez, terminou com a marca de surpresa e imprevisibilidade que marcou a temporada feminina em 2014. Sim, porque a campeã Serena Williams esteve a um set da eliminação, foi humilhada na fase preliminar pela mesma adversária que massacrou neste domingo, não antes de ter feito um início temeroso de partida, tensa como uma adolescente. No final de tudo, prevaleceu o fator primordial: ela é muito mais tenista, na força, na técnica e na competência, do que suas atuais concorrentes.

A vice Simona Halep é sem dúvida a jogadora que mais evoluiu na temporada, colocando-se em posição de brigar por todos os grandes títulos e quem sabe até pela liderança do ranking em 2015. Divide com Eugénie Bouchard a nova força do tênis feminino e, o que é mais interessante ainda, ambas com versatilidade para jogar em qualquer piso, sem medo de bater na bola.

Sensação – Apesar de ter feito pouco na final da Basileia, muito por conta do nervosismo, o belga David Goffin prova ser uma das sensações da temporada. Ele venceu 43 dos 45 jogos que fez desde Wimbledon (incluindo challengers), com 24 vitórias em 38 partidas de ATP no ano. Campeão em Kitzbuhel e Metz, pode entrar no top 20 em Paris, mas terá de chegar pelo menos nas oitavas de final. A estreia é contra Lukas Rosol.

P.S.: Robredo não teve uma reação das mais louváveis, ao apontar os dedos médios para Murray no cumprimento final. Mas, depois de dois vices e 10 match-points, merece um desconto.


Por José Nilton Dalcim - 24 de outubro de 2014 às 20:41

A pouca sensatez de Rafael Nadal e seu time, ao decidir disputar um torneio tão importante como a Basileia sem condições totais de competição, serviu pelo menos a um excelente propósito: colocar o nome de Borna Coric na merecida evidência. Agora mais jovem top 100 do ranking, o garoto de 17 anos não tem ainda um jogo espetacular, porém ganhar de um multicampeão como Rafa certamente vai enchê-lo de confiança e experiência, podendo acelerar sua maturação.

Aliás, Rafa foi pródigo em 2014 em revelar nomes ou dar uma nova oportunidade a outros, uma necessidade do circuito masculino, até mesmo quando venceu. Aconteceu com Pablo Andujar, Alexander Dolgopolov, Kei Nishikori, Dustin Brown e Martin Klizan, mas especialmente com Nick Kyrgios e agora com Coric. O croata, que venceu nesta sexta-feira um de seus grandes ídolos da infãncia – o outro é Mike Tyson -, ganhou o US Open juvenil do ano passado e soma apenas sete vitórias de ATP, todas nesta temporada. Na segunda-feira, havia despachado Ernests Gulbis, também mostrando um jogo agressivo e taticamente bem construído.

A notícia que apareceu minutos após Nadal deixar a quadra com cara de poucos amigos veio em tom de alívio. Ele admitiu enfim não ter condições de ser competitivo com o problema no apêndice, anunciou a cirurgia para daqui a 10 dias e desistiu de ir a Londres, marcando retorno para Doha, em janeiro de 2015. Aí sim, uma atitude lógica e coerente. Será a segunda vez em três anos que não jogará o Finals mesmo classificado. É o maior troféu que jamais ergueu.

Porém, nem assim conseguiu evitar certa polêmica. A certa altura, revelou que tem sentido uma contusão nas costas que se arrasta desde o Australian Open. E disse taxativamente: “É um problema que precisa de cinco semanas para estar sanado”. Cinco semanas? O que exatamente ele fez então entre a derrota de Wimbledon e a estreia em Pequim? Na minha conta, dão 12 semanas. E por que então não aproveitou a contusão no punho que o tirou do US Open para a necessária parada e completa recuperação das costas antes da viagem asiática? Um dia vou entender. Ou não.

A queda de Nadal e a vitória incontestável sobre Grigor Dimitrov colocam Roger Federer como favorito absoluto diante de adversários que reúnem os mais diferentes estilos. Se Karlovic pode ao menos apostar no saque e nos tiebreaks, Coric e o belga David Goffin estão a quilômetros em termos de experiência. Goffin, em extraordinária temporada, venceu Milos Raonic e guardou para o piso duro, que não era seu forte, a primeira vitória em cima de um top 10. Poderemos estar vendo o futuro no duelo dele contra Coric deste sábado.

Quando a Bellucci, faltou consistência, é verdade, mas temos de dar créditos totais a David Ferrer. O espanhol jogou muito, trabalhou muito bem com a bola na subida, usou ângulos, fez o brasileiro se mexer o tempo todo. O brasileiro encerra a temporada, não defenderá os 155 pontos de novembro e assim deve entrar em 2015 na faixa dos top 70 (está em 63º no ranking da temporada e pouca gente com chance de passá-lo no restinho de calendário que falta).