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Por José Nilton Dalcim - 17 de dezembro de 2014 às 23:27

O site Tennis Now publicou interessante artigo do jornalista Erik Gudris sobre os 10 tenistas com menos de 20 anos que mais se destacaram na temporada 2014. A ideia foi ótima e listou pela ordem Nick Kyrgios, Belinda Bencic, Borna Coric, CiCi Bellis, Alexander Zverev e Donna Vekic, ou seja, três promessas de cada sexo.

Kyrgios completou 19 anos em abril e tem um mix de ingredientes que pode ser perfeito para recolocar o tênis australiano em seu devido lugar. Com 1,93m, é um tremendo sacador que se movimenta bem pela quadra e distribui golpes incríveis da base, especialmente com o backhand.

Muito mais do que isso, tem atitude. Mostrou incrível maturidade em jogos duríssimos, match-points contra, placares adversos diante de adversários experientes. Consegue ser brincalhão, irreverente sem perder o foco na partida e isso já lhe garantiu fama. O garoto tem carisma, sem dúvida. Só exagero na irritação, algo meio juvenil, que precisa ser corrigido. Também preocupam as contusões que o perseguiram no segundo semestre.

Com 10 vitórias em apenas 19 jogos de primeira linha em 2014, começará a nova temporada como 52º do mundo e uma enorme chance de disparar no ranking nos torneios locais de janeiro. Basicamente, só defende pontos em abril, portanto pode facilmente chegar ao top 30 antes disso.

Coric é ainda mais jovem, tendo completado 18 anos agora em novembro. A estatura de 1,85m lhe proporciona golpes potentes em todos os campos, aliado à excelente movimentação e resistência. Não por acaso, um dos seus espelhos é Rafa Nadal.

Com a entrada no top 100, deverá jogar torneios de maior peso em 2015 e a ascensão no ranking parece inevitável. Curiosamente, nos quatro primeiros meses de 2014, ainda jogava futures. Em setembro, chegou ao US Open, num salto espetacular, e em outubro derrotou o próprio Rafa na Basileia.

Zverev é o mais alto dos três, ainda aos 17 anos, e o progresso também é relevante. O tenista de 1,98m conseguiu o assombroso salto de 670 posições, tendo começado o ano fora dos 800 primeiros e terminado no 137º. Usou uma estratégia diferente, e passou todo o primeiro semestre de 2014 na disputa de qualis, seja de challengers ou de ATPs.

Quando chegou ao saibro alemão, já em junho, começou a mostrar sua qualidade, com uma série de vitórias sobre tops 100 e top 50, incluindo Mikhail Youzhny, então 19º. Apesar de não ter repetido o desempenho, continuou buscando experiência nos challengers. É outro de tênis bem moderno: saque forte, jogo de base sólido e ataque constante. Tal qual Kyrgios e Coric, se vira muito bem em todos os pisos.

As meninas também estão em patamares bem distintos. Bencic já é uma realidade. Aos 17 anos, fez quartas de Slam, final de WTA e semi de Premier, fechando o ano em 32º. Muito talentosa, um tanto versátil, mas é bem difícil imaginá-la nas rodadas finais de um Slam por enquanto. Vekic, um ano mais velha, já ganhou seu WTA e está na faixa das 80 do ranking.  Parece uma jogadora destinada à quadra dura. CiCi ainda é juvenil, 15 anos, e acho que existe estardalhaço demais em cima dela. Ainda precisa mostrar mais potencial, em que pese a vitória histórica no US Open.


Por José Nilton Dalcim - 10 de dezembro de 2014 às 15:47

A conquista da Copa Davis pela Suíça, no mês passado, gerou uma série de interessantes artigos na imprensa local. Embora todos ressaltem a magnitude do feito – é o primeiro título mundial do país em qualquer modalidade esportiva -, há uma saudável discussão sobre o tênis em si mesmo. Ainda que exista uma inigualável estrutura, com a maior média per capita de quadras e treinadores do planeta, a maioria garante que não existe uma sistematização do trabalho.

O pontapé inicial do tênis profissional no pequeno país europeu se deu em 1976, quando Heinz Gunthardt ganhou seu primeiro ponto no recém criado ranking da ATP. Ele tinha apenas 17 anos e o feito parecia pouco significativo. Gunthard ganhou apenas cinco títulos de simples, chegou a 22º do mundo, e brilhou bem mais como duplista, tendo vencido Wimbledon, Roland Garros e um Finals ao lado do húngaro Balazs Taroczy.

Não foi suficiente para transformar o tênis numa febre nacional, mas incentivou a garotada. Jakob Hlasek foi 7º do mundo no final dos anos 1980 e Marc Rosset chegou a 9º pouco anos depois. O grande sucesso viria nos últimos 20 anos, quando Roger Federer, Martina Hingis e Stan Wawrinka deram 23 troféus de Slam e dois números 1 do mundo à Suíça. Nessas duas décadas, apenas em 2013 não houve ao menos um tenista suíço numa final de Slam.

O técnico Chrishantha Perera, no entanto, ressalta que nada disso é fruto direto de um “sistema”. E mostra sua tese com fatos: se tirarmos Federer e Wawrinka, os próximos suíços do ranking são Marco Chiudinelli (fora do top 200) e Michael Lammer (acima de 500).

Embora Federer tenha sido apoiado pela federação nacional, que tem sua base na cidade de Biel, Wawrinka, Hingis e a esperança Belinda Bencic foram todos formados por iniciativas privadas. Stan treinou por anos na Espanha. O presidente da entidade, Rene Stammbach, acha tudo isso muito normal e diz que faz parte da cultura suíça a forte presença da iniciativa privada: “Não se pode esperar que uma entidade esportiva tome conta de tudo”, dispara.

Segundo o diário Tages Anzeiger, a carreira de Bencic, fenômeno de 17 anos, é bancada por um amigo da família, o empresário Marcel Niederer, que já teria investido nada menos que 1 milhão de francos suiços (cerca de R$ 2,6 milhões) na carreira da menina.

De qualquer forma, a estrutura do tênis suíço é de deixar qualquer brasileiro de boca aberta. O pequeno país de 5 milhões de habitantes tem nada menos que 30 mil tenistas registrados na Federação nacional, que movimenta um calendário suculento de torneios. É praticamente impossível não se ter ao menos um campeonato para jogar por fim de semana. Estão espalhadas pelo país 6 mil quadras de tênis – 1 mil a mais que as estimativas no Brasil, muitas delas cobertas, e existem 15 mil treinadores licenciados. “As quadras estão tão bem distribuídas que você pode atingir qualquer uma andando de bicicleta”, enfatiza Stammbach.

Gunthardt aponta outro fator que contribuiu muito para o rápido crescimento do tênis: a entrada de treinadores tchecos no país durante o regime comunista, o que trouxe experiência, disciplina e espírito esportivo. Aliás, muitos dos melhores tenistas suiços têm origem no leste europeu. Hingis nasceu na Eslováquia, Hlasek e Bencic são filhos de imigrantes tchecos. “Houve uma notável integração entre o conhecimento estrangeiro com a boa estrutura local”, destaca Gunthardt.


Por José Nilton Dalcim - 4 de dezembro de 2014 às 19:46

Basta olhar as seis alternativas lançadas pelo ‘Melhores do Ano’ do site TenisBrasil para ‘fato do ano do tênis brasileiro’ para nos certificar que vivemos um 2014 além das expectativas. Não foram resultados de enorme empolgação, mas o conjunto todo se mostrou muito otimista para 2015.

No fundo, foi uma série de feitos históricos, que muitos podem não ter notado:

- Teliana Pereira foi a primeira brasileira a disputar todos os eventos de Slam numa mesma temporada desde Maria Esther Bueno, em 1965.

- Orlando Luz e Marcelo Zormann deram o primeiro título brasileiro em Wimbledon desde 1966, quando Estherzinha venceu dupla pela última vez.

- Bruno Soares entrou para a mínima galeria de três brasileiros com mais de um título de Slam,  algo que não acontecia desde Guga (em 2000, depois 2001).

- Marcelo Melo foi o segundo brasileiro a disputar uma decisão do Finals (ex-Masters), repetindo Guga em 2000. Melo também igualou Soares ao atingir o 3º lugar do ranking em outubro, agora os únicos com tamanho desempenho.

- O Rio de Janeiro se tornou o maior torneio já disputado no país em fevereiro, tirando do Guarujá de 1983 tal primazia, e também se tornou o segundo evento oficial a receber um número 1 em atividade (o outro foi Guga no Sauípe, em 2001)..

- A vitória sobre a Espanha no Ibirapuera marcou a primeira derrota do poderoso pentacampeão da Copa Davis sobre o saibro desde 1999, quando Guga brilhou em Lérida.  Aliás, será apenas a segunda vez que o Brasil jogará o Grupo Mundial desde que Kuerten se aposentou (a outra foi em 2013).

Por tudo isso, fica difícil até eu dar meu voto. Mas o coração me pede para cravar em Teliana, porque sua história de superação, incluindo a origem humilde, é espetacular e um tremendo exemplo de competência, amor ao tênis e de como o Brasil não faz direito o  trabalho tão necessário de prospecção de talentos.

Aproveito para dar uma rápida passada de olhos nas demais perguntas dos ‘Melhores do Ano’. Sobre a nova geração, acho que hoje quem está mais maduro é Marcelo Zormann e acredito muito que Guilherme Clezar e Bia Haddad chegarão ao top 100. Sobre a temporada 2015, Bellucci deverá se firmar na faixa dos 50, que é seu lugar, e Teliana pode superar sua marca pessoal e chegar entre as 75 se for bem nos Slam.

Para votar nos ‘Melhores do Ano’, clique aqui. Prazo termina na segunda-feira.