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Por José Nilton Dalcim - 22 de abril de 2014 às 17:50

Perdemos na repescagem da Fed Cup, nossos dois possíveis titulares da Copa Davis não passaram da estreia em Santos. Thomaz Bellucci amargou outra derrota e queda inevitável no ranking, e até mesmo Bruno Soares sequer passou da estreia em Barcelona.

Diante dessa enxurrada de más notícias, acredito que não haveria momento mais adequado para darmos algumas sugestões de mudança para o tênis brasileiro, seja na base, na formação dos juvenis competitivos ou no desenvolvimento dos profissionais.

Digo isso porque TenisBrasil irá colocar no ar daqui a pouco a entrevista que fiz com André Sá no clube Paineiras na semana passada para o Bate Bola. O experiente mineiro, com resultados tão expressivos em quadra e também ativo representante dos tenistas na esfera administrativa da ATP, acaba de ser indicado para presidir a recém criada Comissão de Atletas da Confederação  Brasileira. Mas me confessou que não tem um plano de trabalho imediato.

Eu próprio sugeri ali na hora uma ação com os juvenis para valorizar o ranking, porém acho que existe uma tonelada de coisas, das mais simples até as mais ousadas, que poderia dar uma injeção imediata no nosso tênis.

Então gostaria de receber sugestões dos internautas para a Comissão e eu pessoalmente tomarei o cuidado de encaminhá-las ao André. É uma oportunidade excelente para abrimos caminhos, porque eu ando bem preocupado com o futuro do tênis nacional a médio prazo (ah, eu sei, eu sou otimista!).

Mãos à obra. Como sempre, farei argumentações, se for pertinente, para enriquecer este diálogo.


Por José Nilton Dalcim - 20 de abril de 2014 às 22:55

Se alguém dissesse em novembro que Stanislas Wawrinka seria o líder do ranking da temporada disputados quatro meses, duvido que muita gente acreditaria. Nem mesmo ele, talvez. Mas o fato é que, apesar de uma perda de intensidade pós-Australian Open provocada por contusão muscular, ele é mesmo a sensação do ano.

E isso se expressa em números. É o único a ter vencido três torneios, faturou o único Slam disputado e conquista seu primeiro Masters num piso em que ainda não havia brilhado como deveria. Mais ainda: derrotou todos os seis top 10 que enfrentou, e a lista inclui nada menos que Rafael Nadal, Novak Djokovic e Roger Federer. Aparecerá nesta segunda-feira como número 1 de 2014, com 3.535 pontos, quase 500 à frente de Nole e 800 de Nadal, apenas o quarto colocado.

O que mudou nesse tenista que completou 29 anos há 20 dias? Em primeiríssimo lugar, a parte física. Mais rápido e mais resistente, ele deixou de ser afobado. Isso influiu diretamente na confiança, porque se viu em condições semelhantes a um Djokovic, a um Nadal. Seu repertório, que sempre teve um excelente primeiro saque e backhand magistral, ganhou um forehand adequado. Nisso tem muito de Magnus Norman, mas também tem muito de pernas. Porque ele consegue hoje chegar equilibrado para executar o golpe que mais lhe custava erros não forçados. O treinador sueco lhe deu ainda habilidade defensiva, mas novamente esbarramos no mesmo quesito: sem leveza e forte musculatura, não se consegue defender com a necessidade de um top 5.

Stan está quebrando paradigmas. Na Austrália, foi o segundo homem desde Marat Safin, em 2005, a impedir um título de Grand Slam do quarteto Nadal-Federer-Djokovic-Murray.  No saibro monegasco, se juntou a David Ferrer (Paris 2012) e Robin Soderling (Paris 2010) como únicos a ganhar um Masters 1000 que não fosse alguém do Quarteto. Isso em quatro anos e 37 eventos de nível 1000! Aliás, pôs um fim também ao domínio de Nole-Rafa, que vinham ganhando todos os últimos nove Masters.

Para selar sua condição de grande nome da temporada, Wawrinka ainda superou três tabus pessoais. Voltou a vencer Djokovic após seis anos e 14 derrotas consecutivas; ganhou enfim de Nadal depois de 12 partidas e nenhum set marcado; e acabou com o trauma diante do amigo e ídolo Federer, ainda por cima de virada, para quem havia perdido 11 vezes seguidas desde 2009.

Dá para dizer que Stan entrou no rol dos favoritos para o saibro europeu? Sim, porque a altitude de Madri é perfeita para seu estilo e a exigência de cinco sets em Paris já pode ser superada por seu novo estado atlético. O que reforça isso tudo, no entanto, são a instabilidade de Nadal, o punho de Djokovic e a incerteza física de Federer. Roland Garros não parece mais um sonho tão distante assim.

O jogo – Detalhes curiosos sobre a final de Monte Carlo: Wawrinka acertou menos o primeiro saque (58% contra 66%), mas ganhou percentualmente muito mais pontos com o serviço (79% contra 73% do primeiro saque e 56% a 44% do segundo).

Também venceu o duelo de backhands simples, tanto em winners (8 a 4) como em velocidade (120 a 105 km/h). A meu ver, Federer perdeu o jogo no tiebreak, e por uma razão estranha: insistiu em atacar o backhand do adversário em pontos fundamentais, como o 3-5, segundo saque e oito trocas de bola.

Não deu – O tênis brasileiro sofreu duas derrotas importantes neste domingo, porém nenhuma delas para nos deixar de cabelo em pé. Marcelo Melo e Ivan Dodig venderam caro a derrota para os poderosos irmãos Bryan e tiveram um tremendo azar quando abriram 6-5 no match-tiebreak e Mike, agora homem dos 100 títulos, acertou uma devolução toda torta na linha. Foi uma pena, mas a parceria do mineiro voltou a jogar bem mesmo no saibro, que não é sua real especialidade.

Em Catanduva, o time da Fed Cup fez dois bons jogos contra a Suíça, ainda que o favoritismo das visitantes tenha se confirmado. Teliana Pereira, que ficou muito nervosa no sábado, se soltou e teve belíssima atuação contra a promessa Belinda Bencic, mostrando um tênis corajoso e eficiente. É o nível que precisará daqui para a frente no saibro europeu.

Paula Gonçalves voltou a mostrar garra e determinação, mas a distância técnica era realmente grande tanto para Bencic como para Timea Bacsinszky – a brasileira ainda joga future, enquanto Bencic foi semi em Charleston e Timea é ex-top 40. Então o placar foi justo. Nossas meninas choraram de frustração a cada derrota, mas aprenderam mais uma lição que, tomara, seja muito útil.


Por José Nilton Dalcim - 19 de abril de 2014 às 17:06

Contra os prognósticos mais otimistas, como até Roger Federer admitiu, a final de Monte Carlo que abre a temporada de saibro terá totalmente suíça. Deu tudo certo para Stan Wawrinka e Federer. O primeiro teve uma semana perfeita, conseguiu avançar uma rodada sem entrar em quadra e foi aquele tenista espetacular de Melbourne na semifinal diante do espanhol David Ferrer. Já Roger correu por fora, aproveitou a falta de favoritismo e, no dia em que a quadra ficou pesada em Monte Carlo por conta da umidade e do frio, o adversário Novak Djokovic não estava em plenas condições físicas.

Claro que é uma final justa. Wawrinka não vinha mostrando a mesma desenvoltura e confiança do Australian Open, mas é um jogador com todos os recursos para se dar bem no saibro europeu. Precisa é claro de físico e de cabeça, e essas duas coisas estiveram sobrando diante de Ferrer, contra quem fez 31 winners a 8, um número expressivo em excesso para dois tops do ranking. Depois de ter feito finais em Roma, há seis anos, e em Madri, em 2013, está no momento perfeito para o título de Masters que enriqueceria seu currículo.

Eu diria que ele até está jogando melhor que Federer, mas isso não basta. Stan precisa também perder o respeito, no bom sentido é claro, pelo amigo que tanto admira. Federer não esconde a surpresa por ter ido tão longe em Monte Carlo, que nem cogitava disputar. Está completamente livre de pressão, e isso o torna um perigo. Em que pese o problema no punho de Nole, Roger fez um notável primeiro set, com 100% de aproveitamento na rede, apenas nove pontos perdidos com o saque e, o mais espantoso, venceu 7 das 11 trocas acima de nove rebatidas. Ou seja, mostrou paciência e mental forte.

Para completar o clima, Stan e Roger lutam entre si pelo terceiro lugar do ranking e, mais ainda, pela liderança na pontuação da temporada, algo que mostra muito bem o quanto os dois estão jogando um tênis competitivo e vistoso.

Vale ainda ressaltar o problema de Djokovic – vejam entrevista esclarecedora no TenisBrasil -, que terá de parar por tempo indeterminado para tratar do punho direito. Ele descartou a cirurgia, mas só mesmo exames bem detalhados poderão dar a extensão do tratamento. Fiquemos na torcida.

Aliás, torcida é a palavra-chave deste domingo. Primeiro, logo cedinho, para que Marcelo Melo e Ivan Dodig consigam impedir o histórico 100º título de duplas de Mike Bryan em Monte Carlo. Os gêmeos são tricampeões, tentam o quinto título seguido, o terceiro de Masters, fora o tetra em Mônaco. Mas é bom lembrar que perderam dois dos três mais recentes duelos para o mineiro e o croata. Sportv promete mostrar ao vivo, às 7h30.

Depois, para que Teliana Pereira e Paula Gonçalves reajam diante das meninas suíças em Catanduva. Nossa número 1 não foi bem hoje, muito tensa e apressada. Não conseguiu manter o saque ao longo da partida, nem fugir do backhand da experiente Timea Bacsinszky, ex-top 40. Já Paulinha foi além da expectativa. Jogou de azarão e soltou o braço, obtendo ótimos pontos. Mas a juvenil Belinda Bencic é realmente um talento e não deu para fazer muito mais.