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Por José Nilton Dalcim - 28 de janeiro de 2015 às 16:06

Semifinais mais do que equilibradas na chave masculina do Australian Open. Novak Djokovic e Stan Wawrinka se encontram pela terceira vez consecutiva no torneio, cada um com uma vitória espetacular. Andy Murray está jogando um tênis empolgante, mas encara um adversário para quem perdeu em seis de dez duelos. Sem falar que Tomas Berdych vem embaladíssimo pela vitória notável sobre Rafa Nadal.

Então, hora para desafio no Blog do Tênis. Indique o vencedor de cada duelo, com o placar completo. Importante: siga o modelo abaixo para facilitar a conferência. Vale obviamente quem acertar os vencedores, daí quem cravar o placar mais próximo do efetivamente aconteceu (incluindo o andamento da partida, não só os sets em si mesmo).

Quem se aproximar mais, leva uma camiseta exclusiva da coleção TenisBrasil (clique aqui para ver o modelo e a cor). Como sempre, quem mora fora do país tem de indicar um endereço no Brasil para receber o prêmio. O prazo para postar vai até o início do jogo desta quinta-feira.

Siga o modelo:
Murray v. Berdych, 3 a 2, parciais de 6/4 4/6 7/6 6/7 6/3
Djokovic v, Wawrinka, 3 a 2, parciais de 6/4 4/6 7/6 6/7 6/3

Boa sorte!


Por José Nilton Dalcim - 27 de janeiro de 2015 às 12:34

O escocês Andy Murray escapou de enfrentar Roger Federer e Rafael Nadal, que surgiam como grandes barreiras de sua caminhada no Australian Open, mas nem por isso seu desafio diminuiu. Voltando a jogar o tênis que o levou às glórias de 2012 e 2013, ele tentará mais uma final em Melbourne diante de um de seus mais terríveis adversários, Tomas Berdych. Pior ainda. O novo treinador do tcheco trabalhou com o britânico até pouco tempo e certamente sabe muitos de seus segredos.

Berdych redobrou o respeito depois da atuação seguríssima diante de Nadal, com direito a um placar completamente imprevisível. Afinal, ganhar 13 de 15 games diante do espanhol não é coisa normal. A aplicação tática foi o ponto alto de Berdych, porém ela não seria nada se ele não tivesse tido a frieza e a precisão para executá-la. Saiu de momentos delicados no começo do jogo contando com o saque e o ataque. Na maior parte do tempo – e esse me parece o que realmente fez diferença – obteve bolas muito profundas, sem dar muito tempo para Nadal reagir ou impor sua provável tática de mexer a bola para os lados.

Todo mundo sabe que Berdych tem os golpes certos para dar trabalho a Nadal. O que lhe faltou nos últimos 17 confrontos foi a confiança, porque não dá para esperar o espanhol errar. É preciso se impor no saque e na devolução, aproveitar qualquer bola mais curta, usar muita paralela. Com isso, conseguiu a famosa gangorra do tênis: quando um sobe, o outro desce. Rafa se mostrou acuado, com pouco tempo de se recobrar até mesmo no mental. As pequenas chances que teve na partida esbarraram na sua consistência, algo que também não é habitual de se ver.

Esse Berdych de golpes pesados mas menos afoito pode ser um perigo para Murray também, como indica o placar de 6 a 4 nos confrontos diretos. O escocês terá novamente de misturar ao máximo os golpes e a velocidade do jogo, algo que fez com maestria diante do novato Nick Kyrgios. Aliás, o escocês sacou muito bem a maior parte do tempo, principalmente porque não ficou atrás do ace e sim de diferentes ângulos e efeitos, que confundiram a cabeça do australiano. No fundo de quadra, procurou tomar a iniciativa, algo que se cobra muito dele.

A primeira semifinal feminina será russa, com Maria Sharapova e Ekaterina Makarova. Foram duas surpresas, de formas diferentes. A cabeça 2 teve sua melhor atuação do torneio até aqui contra Eugénie Bouchard. Conseguiu até mesmo usar bons slices e fazer voleios perfeitos, algo impensável para ela há pouco tempo atrás. No jogo franco, sufocou a canadense com seus golpes poderosos e boa movimentação. Nem parecia aquela Sharapova que quase se despediu lá no começo da chave.

Já a canhota Makarova alcança sua segunda semi consecutiva de Grand Slam quase sem fazer força. A romena Simona Halep não teve padrão de jogo, seus golpes ficaram descalibrados e até o espírito de luta se foi rapidamente. Decepcionante.

E o tão sonhado título brasileiro de Grand Slam nas duplas parece mais perto do que nunca. Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig são agora os favoritos para levar o Australian Open, já que aparecem como a parceria de mais alto ranking entre as semifinalistas. O jogo contra López/Mirnyi foi nervoso, o terceiro seguido decidido no set final e o segundo deles no tiebreak. Haja coração. Por isso mesmo, há de se destacar o controle emocional dos dois.

Melo disputará sua quinta semifinal de Grand Slam, quarta com o croata. Perdeu duas no US Open e ganhou outra em Wimbledon, onde ele e Dodig foram vices no ano passado. Vale lembrar que o Brasil jamais ganhou um título de Slam em duplas masculinas. Tem 11 no feminino com as façanhas de Maria Esther Bueno e quatro de mistas (Esther, Bruno Soares e Thomaz Koch).


Por José Nilton Dalcim - 26 de janeiro de 2015 às 12:24

O primeiro top 10 já ficou para trás. As quartas de final são o próximo desafio. O japonês Kei Nishikori tem diante de si a chance de repetir a espetacular campanha de Nova York e se fixar de vez no seleto grupo dos cinco melhores do mundo. Quem sabe, até ficar com o título de Melbourne

Há curiosas semelhanças. Depois de tirar Milos Raonic no US Open, Nishikori cruzou com Stan Wawrinka. Surpreendeu, e derrubou em seguida nada menos que Novak Djokovic, atingindo então sua primeira final de Grand Slam. Nunca havia vencido tantos top 10 em sequência.

Ao superar com maestria David Ferrer nesta segunda-feira, ele se coloca exatamente na mesma posição. Desafia agora o atual campeão e tem chance real de reencontrar Djokovic. Ainda que seja menos experiente que os adversários, impossível negar que Nishikori pode brilhar mais uma vez.

A atuação contra Ferrer foi digna de espanto. O espanhol até podia alegar problemas com as bolhas no pé, mas reconheceu antes de tudo que o japonês foi muito superior nos três sets fulminantes em que o ponto alto foi a capacidade de atacar, até mesmo a partir do saque.

Curiosa foi a declaração de Nishikori, ao admitir que não se sente ainda à vontade como top 5 do ranking. Mas ele precisa se acostumar logo a isso. Caso vença Stan, tem enorme chance de chegar ao quarto posto e quem sabe grudar no terceiro colocado. “Meu estilo de jogo exige muito da parte mental, porque preciso ser agressivo sem errar tanto, então a escolha da hora de arriscar é fundamental”, definiu ele com propriedade.

O duelo com Wawrinka está totalmente aberto. O suíço também tem jogado muito bem. Chegou a se atrapalhar contra o sempre perigoso Guillermo Garcia-López, mas manteve a cabeça no lugar, o que é um importante sinal de que está bem consigo mesmo. Acho que a pressão maior da defesa do título já passou, porque quartas de qualquer Slam é o resultado mínimo que qualquer grande nome espera.

Djokovic por sua vez precisou de paciência para suportar o canhoto Gilles Muller, como aliás já havia acontecido na rodada anterior com Verdasco. E terá outro sacador peso-pesado pela frente nas quartas, o bem conhecido Milos Raonic, que fez nada menos que 81 winners nos cinco sets diante de Feliciano López, indo com notável constância à rede (34 pontos em 62 tentativas).

Nada tira o favoritismo de Nole, que marcou outro feito importante na sua carreira ao atingir as quartas de um Slam pela 23ª vez consecutiva, marca que só fica atrás de Roger Federer (36) e Jimmy Connors (27). Além de tudo, joga com os números: só perdeu um set de Raonic nos quatro duelos.

Se não teve nível técnico espetacular, o complemento das oitavas de final femininas foi marcado por emoções de todos os tipos. Serena Williams mais uma vez tirou forças ocultas para virar contra Garbine Muguruza e a irmã Venus mostrou poder de reação incrível para tirar Aga Radwanska com um terceiro set impecável. A veterana de 35 anos faz agora um duelo americano de gerações contra a surpresa Madison Keys.

Mas o grande nome do dia foi certamente Dominika Cibulkova. Sentindo-se à vontade no lugar onde jogou o melhor tênis de sua vida no ano passado, usou os mais variados recursos para tirar Vika Azarenka. Fez um pouco de tudo, com destaque ao excepcional trabalho de pernas, contraataque e determinação. Serena que se cuide.

E Marcelo Melo enfim completou seu currículo com as únicas quartas de Grand Slam que não possuía. O mineiro já foi vice de Wimbledon, tem duas semis do US Open e duas quartas em Roland Garros. Ele e Ivan Dodig ainda possuem jogos duros pela frente: López/Mirnyi agora e depois quem sabe Benneteau/Roger Vasselin. A notícia motivadora foi a queda dos irmãos Bryan.