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Por José Nilton Dalcim - 20 de novembro de 2014 às 11:10

Envolto em polêmica depois do abandono em Londres e de desentendimentos com o amigo e parceiro de time, Roger Federer conseguiu realizar “um boa sessão de treinamento” na manhã desta quinta-feira, em Lille, e com isso foi confirmado para fazer o segundo jogo desta sexta-feira contra Gael Monfils. O duelo será aberto com Jo-Wilfried Tsonga diante de Stan Wawrinka, às 11 horas de Brasília.

Federer se negou a confirmar versões de que estaria utilizando cortisona para aguentar a dor nas costas, que teria sido o motivo principal de sua desistência de tentar o título no Finals quatro dias atrás. “Se eu tivesse feito isso, não iria te contar”, brincou com o jornalista francês na entrevista oficial pós-sorteio. A imprensa suíça diz que Roger fez um bom treino na quinta-feira, apenas a segunda vez que piso no saibro montado no estádio da cidade, mas que não está convincente.

Claro que a Suíça não tem alternativas, já que os reservas são muito fracos. Talvez pudesse poupar Federer do primeiro dia de simples e apostar na dupla, mas seria temeridade total, já que Stan Wawrinka está longe de ser uma garantia de marcar ponto no primeiro dia.

O fato é que a decisão desta Davis tem todos os ingredientes possíveis de imprevisibilidade. E talvez de jogos ruins.

Jo-Wilfried Tsonga foi confirmado como titular na vaga de Richard Gasquet, ainda que tenha ganhado apenas seis partidas desde o título sobre Federer em Toronto. Seu retrospecto na Davis no entanto é admirável: 16 vitórias em 20 jogos de simples – sendo 14 no saibro – e invencibilidade de cinco partidas de duplas. Totalmente diferente de Wawrinka,  com 20 em 33 de simples e conhecidas decepções e amareladas. No confronto geral, o francês tem 3 a 2, com empate por 2 a 2 no saibro. Bem aberto.

A chave parece estar mais do que nunca em cima de Federer e de sua contusão. Serão mais de 25 mil vozes a incentivar o superquerido Gael Monfils, um excelente jogador sobre o saibro, que teve duas chances de derrubar Roger nas quartas do US Open deste ano em jogo memorável. O suíço leva vantagem óbvia na experiência de Davis – 37 triunfos diante de 9 -, no confronto direto (8 a 2) e especialmente no saibro (4 a 0, sendo três delas em pleno Roland Garros). Uma eventual queda de Stan na abertura colocará mais um peso gigantesco sobre as já suspeitas costas de Federer.

Só mesmo depois da sexta-feira será possível dizer quem tem mais chance de levar um título que a França não vê desde 2001 – tendo perdido duas finais desde então – e que a Suíça só tentou uma vez, há 22 anos, e que sonha desde que Federer passou a brilhar. O Sportv mostra tudo ao vivo.

Curiosidades
- O público deverá ser de 27 mil pessoas no estádio do Lille, onde existe teto retrátil. Mas isso não irá quebrar o recorde de ingressos vendidos para um torneio oficial, que foi de 27.200 para a final entre Espanha e EUA, em Sevilha, em 2004.

- Suíça e França fizeram outro duelo histórico, em 2001, em que bateram o recorde de mais longo confronto da Davis em qualquer nível desde a introdução do tiebreak, em 1989, tanto em tempo (21 horas) como em quantidade de games (275). Dos cinco jogos, três foram ao quinto set. A França venceu.

- Apenas duas vezes um duelo da Copa Davis gastou cinco sets em todos os cinco jogos: em 1946, entre Iugoslávia e França, e em 2003 entre Romênia e Equador.

- Viradas de 0 a 2 são raríssimas na Davis. Desde 1900, só aconteceram 51 vezes e, no Grupo Mundial, apenas oito. A mais recente coube justamente à França, neste ano, em cima da Alemanha. Numa final, houve um caso: 1939, entre Austrália e EUA.

- O jogo de simples mais longo durou 6h22, com vitória de McEnroe sobre Wilander em 1982. De duplas, levou 7h01 no ano passado, com triunfo de Berdych/Rosol sobre Wawrinka/Chiudinelli.

- O duelo que mais exigiu tiebreaks foi na vitória da Croácia sobre o Brasil na repescagem de 2008, com 11. O mais longo tiebreak atingiu 15-13, entre Rafter e Rikl, em 1997.

- A França tem nove títulos da Davis, três na Era Profissional, e ganhou 10 dos 12 duelos contra a Suíça. Neste ano, jogou todas as rodadas em casa.

- A Suíça busca ser o 14º diferente país a ganhar a Davis. A derrota de 1992 foi diante de um supertime formado por Agassi, Courier e Sampras/McEnroe.


Por José Nilton Dalcim - 16 de novembro de 2014 às 18:32

A virada espetacular de sábado pode ter custado muito caro para Roger Federer. O esforço – físico de 2h48 e mental diante de tantas dificuldades – acabou determinando a lamentável ausência na decisão do título deste domingo, devido a uma alegada contusão nas costas. Frustração geral para quem esperava ver a ‘final dos sonhos’ entre os dois melhores tenistas da temporada.

Mas pode ter sido ainda pior. Se confirmada a informação dada por John McEnroe em seus comentários para a ESPN, que teria havido intenso bate boca entre Federer e Stan Wawrinka no vestiário, a vitória de sábado coloca também em grande risco a tentativa de título inédito na Copa Davis, já que os dois terão de formar equipe muito coesa para derrubar a França sobre o saibro.

Não há até agora confirmação sobre a discussão pós-jogo, mas há indícios fortes de que McEnroe esteja bem informado. Foi possível ver, no final do tenso terceiro set de sábado, Wawrinka reclamando acintosamente do comportamento da tribuna de convidados. Dizem que ele se dirigia ao time de Federer. O capitão Severin Luthi estava lá. Aliás, o próprio Stan já declarou saber que Luthi torce por Federer.

De um jeito ou de outro, as dores nas costas, que relembram o fantasma do ano passado, podem dificultar muito as coisas em Lille, onde se espera que os dois suíços tenham de jogar simples e duplas. Sem falar no curtíssimo tempo de readaptação à terra batida.

O anticlímax atingiu também Djokovic, que não se sentiu à vontade para comemorar seu quarto troféu de Finals. Não poderá contabilizar esta vitória em seu currículo, porque a ATP não considera w.o., fechando portanto a temporada com 61 vitórias em 69 possíveis. Mais do que qualquer coisa, está a qualidade de suas conquistas: Wimbledon, Finals de Londres, dois Masters na dura descoberta, um no saibro e outro no sintético coberto, sem falar em Pequim e no vice de Roland Garros. A maciça maioria dos mortais estaria radiante com um acervo desses em toda a carreira.

A distância que Nole abre na liderança do ranking também lhe dará folga não mais até o Australian Open, mas agora até a defesa dos títulos de Indian Wells e Miami. Djokovic aparecerá 1.810 pontos à frente de Federer e, como teve campanha bem pior em Melbourne de 2014, nem mesmo o eventual título do suíço no primeiro Grand Slam será suficiente para alcançar a ponta. Rafa Nadal, finalista na Austrália, está a mais de 4.600 pontos.

No fundo, Djokovic coloca cada vez mais seu nome entre os gigantes da Era Profissional. Mas esse é um extenso assunto para o próximo post.

Porque falta ainda falar do vice de Marcelo Melo, ao lado do croata Ivan Dodig. Os dois fizeram um duelo de alto nível contra os irmãos Bob e Mike Bryan, perderam por detalhes para os maiores da história. Seguraram muito bem os nervos no primeiro set e no tiebreak, mas a devolução caiu de produção e os norte-americanos igualaram.

No sempre imprevisível match-tiebreak, aconteceu um pouco de tudo. Melo fez dupla falta, Dodig errou voleio fácil, os adversários deram sorte num lance. Aqueles mínimos momentos que tantas vezes decidiram jogos de duplas em toda a temporada.

O lado muito positivo é que o tênis brasileiro termina sua segunda temporada consecutiva com dois representantes no top 10, o que é sinal de evolução técnica e de amadurecimento.  Podemos acreditar que virá mais em 2015.


Por José Nilton Dalcim - 15 de novembro de 2014 às 23:38

A temporada 2014 tinha, por justiça, que terminar com mais um duelo entre Novak Djokovic e Roger Federer. Foram os dois tenistas de desempenho mais notável ao longo dos meses, não apenas na questão dos títulos e finais, mas também em atuações convincentes e evidente progresso técnico/tático. Curioso é que, depois de 2013 em que só se cruzaram duas vezes lá no finzinho do ano, nesta temporada será o sexto confronto, algo que jamais havia acontecido entre eles. Federer tem vantagem de 3 a 2 em 2014 e de 19 a 17 no geral.

Claro que o grande destaque do dia foi Stan Wawrinka. Pelo bem e pelo mal. O campeão do Australian Open fez talvez sua melhor exibição de todo o segundo semestre, mostrando muita segurança para ser agressivo no fundo de quadra na hora certa. Dominou o primeiro set e só abriu uma janelinha no final do segundo, o bastante para Federer adiar a decisão. Não foi o melhor dos Roger, e isso ficou patente ao longo de quase todo o terceiro set, em que Wawrinka novamente se mostrava mais eficiente nos pontos importantes.

Até chegar o 5/4 e saque. O serviço não entrou. Ele se apressou e tentou encurtar os pontos, mas foi infeliz nas investidas à rede. Federer deu sorte, mas acima de tudo manteve a frieza. Com 5/5, ainda permitiu 15-40. Depois, foram ao tiebreak, nervos no máximo e golpes de grande qualidade. Federer abriu 5-3, Wawrinka virou para 6-5. Roger escapou com grande saque e completou a virada com dois voleios magníficos. Aliás, quarta virada nos cinco últimos duelos entre eles. Enfim, o Finals viu um jogo digno de seu status.

Djokovic parecia caminhar para mais uma vitória esmagadora, até perder a concentração com o público e abrir perigosa brecha para o valente Kei Nishikori. O game de abertura do terceiro set foi decisivo. O japonês bobeou com duas chances incríveis de quebra e daí em diante caiu na realidade. Seu saque pouco contundente virou presa fácil para o volume muito superior do número 1 do mundo, que fez o que quis. Nem vibrou muito. Destruir adversários tem sido uma rotina para ele em Londres.

Quem leva o título de domingo, vão certamente me perguntar de novo. Acho que os duelos de sábado colocam o favoritismo para Djokovic. O suíço tem um arsenal que incomoda o sérvio, na base de slices, velocidade de bola muito variada, saque aberto no forehand. Mas é pouco provável que esteja fisicamente inteiro. Acabou a entrevista oficial à 1 da manhã, provavelmente irá dormir às 4. Me parece que terá de fazer um jogo ainda mais agressivo.  evitando trocas longas. Excepcional estrategista, Nole vai adorar.

Detalhes importantes:
- Federer atinge nona final do torneio, igualando o recorde de Ivan Lendl.
- Djokovic não perde em quadra sintética coberta há 31 partidas
- Federer ganhou 5 de 10 finais na temporada, Nole busca o sétimo troféu do ano
- Os dois se cruzaram três vezes na O2, com duas vitórias do sérvio, incluindo a final de 2012
- Djokovic joga pelo tri consecutivo, algo que não acontece desde Lendl em 1985-87
- Federer obteve a 72ª vitória do ano e agora está a apenas cinco da 1.000ª
- Apesar do título na Austrália e de Monte Carlo, Wawrinka encerra o ano com a marca razoável de 38 vitórias e 17 derrotas.

A um passo da história
O domingo também é Brasil. Marcelo Melo está com um pé na história e pode dar o mais importante título ao tênis brasileiro desde o terceiro troféu de Guga Kuerten em Roland Garros de 2001. Faz tempo. Ele e o croata Ivan Dodig fizeram um jogo incrível neste sábado, arrancando um placar dramático da forte parceria formada por Kubot/Lindstedt.

Terão agora de encarar os irmãos Bob e Mike Bryan, mas terão a seu favor uma sina que persegue os gêmeos desde a primeira edição do Finals na arena O2, em 2009. Os americanos nunca mais venceram o Finals, incluindo derrota no ano passado para Verdasco/Marrero.

Melo e Dodig aos poucos parecem atingir a maturidade como parceria. A carreira de simples do croata certamente atrapalha, embora seja mais do que compreensível que ele se dedique mais a ela. Porém é notável que os dois estão com um jogo mais compacto. Se Melo melhorou claramente na devolução, Dodig está mais confiável na cobertura da rede. Serão aliás dois requisitos básicos neste domingo. O Sportv mostra às 13h30.