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Por José Nilton Dalcim - 28 de julho de 2014 às 16:45

Como permanecer motivado? A nova estrela australiana Nick Kyrgios achou uma forma no mínimo curiosa: ele mantém o vídeo de sua vitória contra Rafael Nadal em Wimbledon no seu smartphone e confessa que já assistiu aos lances incontáveis vezes, como uma forma de se focar no trabalho.

“Claro que rever os lances faz bem para a confiança, mas no fundo eu uso isso para analisar como joguei”, conta ele. Para não ter que ir aos sites de vídeo toda hora, ele acabou baixando o jogo inteiro no celular. “Fica mais fácil para ver um ou outro detalhe quando me vem algo à cabeça”.

O inusitado e espetacular lance em que obteve um winner por entre as pernas, de frente para a quadra, num momento de puro reflexo e agilidade, está lá. E Kyrgios confessa que às vezes treina o ‘golpe’. “O legal é que a garotada também começou a tentar esses lances malucos”, diverte-se ele, no alto de seus 19 anos.

Existe certamente expectativa para ver como Kyrgios se sairá na quadra dura. Número 69 do ranking nesta segunda-feira, ele precisará disputar o qualificatório dos dois Masters ou esperar por convite. Garantido mesmo só o US Open, mas seria ruim chegar lá com poucas partidas disputadas.

A vitória sobre Nadal foi um choque para o tênis, porém Kyrgios garante que está com os pés no chão e chega a concordar com as palavras do espanhol, de que não se pode avaliar um tenista jovem apenas por uma vitória. “Ele tinha razão, há muito chão pela frente. Mas eu aprendi muito com aquela partida”.

Entre as novidades que trará para o piso sintético, está um novo treinador. Após a separação amigável com Simon Rea, com quem esteve por 18 meses, começou a trabalhar com o ex-profissional Josh Eagle.

Kyrgios diz que ainda não se acostumou com o assédio do público e da imprensa. Sua vida mudou depois de WImbledon. “Quando desembarquei na Austrália, havia 800 pessoas me esperando no aeroporto, muitos jornalistas, câmeras, foi algo engraçado. E isso prosseguiu nos primeiros dias em Canberra”.

Por isso, ele preferiu se preparar em Melbourne, mas não teve o sossego imaginado: “Não consigo ir a lugar algum sem ser notado. Mas não é de todo mau, nem me importo com isso. É legal conhecer gente nova, estou curtindo tudo isso”, observa.

Os jornais e sites esportivos australianos continuam dando grande destaque ao garoto, com abordagens peculiares. Muitos reproduziram o comentário de Richard Hinds, do Daily Telegraph, cuja frase de maior impacto era: “Não, ele não comprou uma Ferrari”. Ou então: “Seu novo treinador não será seu pai”, evidentes alusões a Bernard Tomic. Todo mundo tenta enfatizar que Kyrgios não está deslumbrado com o repentino sucesso.

Tomara mesmo.


Por José Nilton Dalcim - 24 de julho de 2014 às 11:39

Segurem-se nas cadeiras, caros espectadores. Ou levem seus tampões de ouvido para os próximos torneios. Estudo científico da Universidade de Nevada garante que um tenista consegue aumentar a potência de seus golpes em até 3,8% ao soltar o ar com força dos pulmões, o que gera forte grunhido, ao melhor estilo Maria Sharapova.

A explicação físico-motora é que, ao forçar a expiração do ar, o tenista consegue dar mais estabilidade ao tronco e com isso aumenta a transferência de peso e força para o corpo e principalmente aos braços. Mais alarmante ainda: se o tenista praticar isso desde cedo, conseguirá percentuais cada vez melhores, garantem os estudiosos.

Segundo eles, a gritaria só traz benefícios ao tenista: “Foi verificado se isso causaria um custo adicional de oxigenação ao organismo, mas o resultado foi insignificante”, segundo reportagem do diário britânico Daily Mail.

Sharapova, que usa a técnica tão controversa, chega a emitir ruído de 105 decibéis durante uma partida. Serena Williams e Vika Azarenka também não são econômicas no assunto. Carlos Berlocq é outro criticado – “é a pior coisa que já ouvi numa quadra”, afirmou Andy Murray.

Durma-se com um barulho destes.

Mudando de casa – É bem provável que o Challenger Finals – o torneio de final de ano que reúne em São Paulo os melhores classificados e dá 220 pontos no ranking – mude novamente de casa. Depois de passar pelo piso duro do Ibirapuera e pelo saibro do clube Harmonia, a promotora Koch Tavares tem conversa adiantada para levar o evento ao clube Pinheiros, também na zona Oeste da cidade.

Acabou? – Ainda está na linha dos boatos, mas são fortes os indícios de que os promotores chilenos irão abrir mão do ATP 250 de Viña del Mar, um torneio que nunca conseguiu decolar financeiramente. É possível que novidades surjam durante a tradicional reunião de Nova York, na véspera do US Open.

Certamente, a ATP fará de tudo para manter a data no saibro latino-americano, embora haja poucas alternativas para isso. O Brasil dificilmente vai querer um terceiro ATP. Argentina, Colômbia e México já têm o seu. Talvez Equador, que tem a inflluência de Andrés Gomez, ou Uruguai se interessem.

Aposta no futuro – O site Tennis World USA faz uma projeção de quem formará o top 10 em 2020. Veja a lista: 1. Grigor Dimitrov, 2. Milos Raonic, 3. Alexander Zverev, 4. Nick Kyrgios, 5. Dominic Thiem, 6. Borna Coric, 7. Jerzy Janowicz, 8. Pablo Carreno, 9. Jiri Vesely, 10. Giunluigi Quinzi.

Boa aposta, com ressalvas. Eu rebaixaria Raonic. Não consigo vê-lo em tamanha evolução daqui a seis anos, quando já estará perto dos 30. E já começo a ter dúvidas se Thiem irá mesmo longe. Janowicz? Acho que encerra a carreira antes de 2020.


Por José Nilton Dalcim - 21 de julho de 2014 às 21:36

Um interessante artigo publicado por Andrew Moss em seu blog, chamado Cleaning The Lines, alerta para um fato: a ATP está negligenciando há muito tempo os torneios de segundo escalão, os chamados ‘challengers’, em favor quase exclusivo dos ATPs, Finals e Masters 1000.

Apesar de haver uma certa discrepância histórica no apontamento de Moss, ele não deixa de ter razão e publica gráficos bem elaborados em que se percebe com nitidez: enquanto os Grand Slam e ATPs aumentam ano após ano a premiação, os challengers têm se mantido praticamente estáveis ao longo das últimas 20 temporadas.

Ao contrário do que o autor indica no seu texto comparativo, os challengers não foram criados em 1978. Na verdade, existia uma gama chamada de “outros torneios”, mas era um número irrisório se comparado ao calendário principal dos ATPs (então Grand Prix). A noção de ‘challengers’ como eventos de segundo escalão e preparatórios para o calendário principal ganhou força em 1986 e apenas em 1993 houve um número de ‘challengers’ compatível com os de ATPs.

Mas, ainda que a base a ser tomada seja o ano 2000, fica ainda evidente a disparidade no montante financeiro. Segundo os gráficos do blog, na virada do século os ATPs pagavam juntos coisa de US$ 270 milhões (em valores corrigidos) e hoje já passa dos US$ 320 milhões. Já os ‘challengers’ se mantém na casa dos US$ 80 milhões.

Isso significa que o circuito masculino não é justo? Claro que os eventos ATPs, Masters, Finals e Grand Slam são os que reúnem as principais estrelas e portanto têm condições de atrair mídia, patrocinadores e público. Dessa forma, podem também pagar mais aos tenistas. Muitos ‘challengers’ são disputados em cidades pequenas, países com pouca tradição e têm dificuldade para se autofinanciar.

O problema bem salientado por Ross é que isso aumenta ainda mais a distância entre os jogadores. Um top 20, por exemplo, carrega consigo um numeroso time de especialistas, que inclui até nutricionista, encordoador personalizado e um rebatedor oficial. Um top 100, ao contrário, mal consegue levar o treinador para as viagens e aí a desvantagem vai além do simples talento e esforço.

Ross acredita que seja preciso injetar apenas US$ 3,4 milhões no calendário dos challengers para que eles recuperem o poder que tinham 20 anos atrás. Para dobrar o total da premiação de 1990, seriam necessários cerca de US$ 15 milhões. Para o universo tão rico do circuito masculino, isso no entanto é um valor totalmente administrável e atingível.

Concordo plenamente com Ross. Para que o tênis continue a crescer – e principalmente a ser um bom negócio -, a ATP deve cuidar do futuro e considerar a renovação de suas estrelas como uma constante. O que vemos hoje é o surgimento de alguns bons nomes, que no entanto levarão um tempo perigosamente grande até atingir o status de virar manchete e formar fila nos estádios. Para mim, é algo preocupante.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.