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Por José Nilton Dalcim - 24 de outubro de 2014 às 20:41

A pouca sensatez de Rafael Nadal e seu time, ao decidir disputar um torneio tão importante como a Basileia sem condições totais de competição, serviu pelo menos a um excelente propósito: colocar o nome de Borna Coric na merecida evidência. Agora mais jovem top 100 do ranking, o garoto de 17 anos não tem ainda um jogo espetacular, porém ganhar de um multicampeão como Rafa certamente vai enchê-lo de confiança e experiência, podendo acelerar sua maturação.

Aliás, Rafa foi pródigo em 2014 em revelar nomes ou dar uma nova oportunidade a outros, uma necessidade do circuito masculino, até mesmo quando venceu. Aconteceu com Pablo Andujar, Alexander Dolgopolov, Kei Nishikori, Dustin Brown e Martin Klizan, mas especialmente com Nick Kyrgios e agora com Coric. O croata, que venceu nesta sexta-feira um de seus grandes ídolos da infãncia – o outro é Mike Tyson -, ganhou o US Open juvenil do ano passado e soma apenas sete vitórias de ATP, todas nesta temporada. Na segunda-feira, havia despachado Ernests Gulbis, também mostrando um jogo agressivo e taticamente bem construído.

A notícia que apareceu minutos após Nadal deixar a quadra com cara de poucos amigos veio em tom de alívio. Ele admitiu enfim não ter condições de ser competitivo com o problema no apêndice, anunciou a cirurgia para daqui a 10 dias e desistiu de ir a Londres, marcando retorno para Doha, em janeiro de 2015. Aí sim, uma atitude lógica e coerente. Será a segunda vez em três anos que não jogará o Finals mesmo classificado. É o maior troféu que jamais ergueu.

Porém, nem assim conseguiu evitar certa polêmica. A certa altura, revelou que tem sentido uma contusão nas costas que se arrasta desde o Australian Open. E disse taxativamente: “É um problema que precisa de cinco semanas para estar sanado”. Cinco semanas? O que exatamente ele fez então entre a derrota de Wimbledon e a estreia em Pequim? Na minha conta, dão 12 semanas. E por que então não aproveitou a contusão no punho que o tirou do US Open para a necessária parada e completa recuperação das costas antes da viagem asiática? Um dia vou entender. Ou não.

A queda de Nadal e a vitória incontestável sobre Grigor Dimitrov colocam Roger Federer como favorito absoluto diante de adversários que reúnem os mais diferentes estilos. Se Karlovic pode ao menos apostar no saque e nos tiebreaks, Coric e o belga David Goffin estão a quilômetros em termos de experiência. Goffin, em extraordinária temporada, venceu Milos Raonic e guardou para o piso duro, que não era seu forte, a primeira vitória em cima de um top 10. Poderemos estar vendo o futuro no duelo dele contra Coric deste sábado.

Quando a Bellucci, faltou consistência, é verdade, mas temos de dar créditos totais a David Ferrer. O espanhol jogou muito, trabalhou muito bem com a bola na subida, usou ângulos, fez o brasileiro se mexer o tempo todo. O brasileiro encerra a temporada, não defenderá os 155 pontos de novembro e assim deve entrar em 2015 na faixa dos top 70 (está em 63º no ranking da temporada e pouca gente com chance de passá-lo no restinho de calendário que falta).


Por José Nilton Dalcim - 23 de outubro de 2014 às 17:28

Para comemorar o retorno de um brasileiro ao top 50 do ranking, fato já sacramentado com o avanço de Thomaz Bellucci às quartas de final de Valência, nada melhor do que números. E bons números.

Bellucci irá figurar na nobre lista dos 50 melhores do ranking pela 164ª semana ao longo de sete temporadas profissionais, feito que só é superado entre os brasileiros por Gustavo Kuerten, é claro. Desde que ganhou Roland Garros, em junho de 1997, Guga jamais deixou o top 50 até janeiro de 2005, ou seja, mais de sete anos e meio.

Na verdade, a marca de Bellucci é duplamente significativa. Ele não apenas supera a quantidade de semanas no top 50 de Luiz Mattar (143) e Fernando Meligeni (69), como também possui a mais longa série de permanência depois de Guga, com 119 semanas consecutivas, entre 19 de outubro de 2009 e 30 de abril de 2012. São mais de dois anos.

A última vez que ele havia chegado nessa faixa foi em 24 de junho do ano passado, como 46º. A campanha em Valência, iniciada com dois jogos no quali, passou por Mikhail Youznhy e pela desistência de Roberto Bautista, e garante pelo menos o 44º posto na próxima segunda-feira, ou uma posição a mais caso Pablo Carreno não và à semi. Fato curioso, mesmo que Thomaz vença David Ferrer e anote seu maior resultado internacional desde Madri de 2011, esse ranking não mudará.

Enfrentar top 10 está longe de ser especialidade do brasileiro, que soma apenas cinco vitórias em 25 tentativas. A lista é bem curta: Verdasco, Murray e Berdych, em 2011; Ferrer e Tipsarevic, no ano seguinte, tudo é claro sobre o saibro. O sérvio foi a mais recente, na final de Gstaad em julho de 2012. Faz tempo. Nesta temporada, Bellucci já perdeu para Tsonga, Ferrer e Wawrinka.

Os dois ATP 500 em andamento têm sido interessantes. Na Basileia, Rafa Nadal não deu menor sinal de apendicite e terá um duelo no mínimo interessante diante do garoto Borna Coric, aposta mais do que certa de futuro promissor.

Roger Federer teve atuação de altos e baixos contra Denis Istomin e reencontra Grigor Dimitrov, num jogo que só pode se esperar talento e improviso. Os 500 pontos na Basileia são cruciais para o suíço ainda sonhar com a liderança do ranking.

Em Valência, o duelo direto entre Ferrer e Andy Murray por Londres se acentua, mas desta vez eles terão de se cruzar na semi caso vençam nesta sexta-feira. O britânico parece cada vez mais animado e recuperado. Mas ele adora me fazer morder a língua;

Maluco mesmo está o Finals feminino de Cingapura. Quem imaginaria Carol Wozniacki e Simona Halep liderando seus grupos? Maria Sharapova, que podia ameaçar o número 1 de Serena, derrotada duas vezes? Williams absurdamente insegura?

O formato inteligente do Finals permite ainda que qualquer coisa possa acontecer. Confuso, verdade, mas divertido. Pena que a diferença horária não ajude.


Por José Nilton Dalcim - 20 de outubro de 2014 às 22:25

Thomaz Bellucci está diante de um feito especial nesta quarta-feira, quando estreará no ATP 500 de Valência diante do russo Mikhail Youzhny. Em caso de vitória sobre o número 27 do ranking, ele conseguirá exatos 50% de aproveitamento em torneios de primeira linha em sua carreira, ou seja, em ATPs, Masters, Grand Slam e Copa Davis.

Isso não é pouco. Só para comparar, o genial Carlos Kirmayr encerrou a carreira com 45,5%, enquanto o guerreiro Fernando Meligeni terminou com 48,2%. Apenas três brasileiros superaram a casa dos 50% até hoje: Gustavo Kuerten chegou a espetaculares 64,7%; Thomaz Koch, a 53,6%; e Luiz Mattar ficou com 51,8%.

Em números absolutos, Bellucci tem hoje 135 vitórias e 136 derrotas, algo também significativo em termos de tênis nacional, em que apenas sete jogadores já superaram a marca centenária de triunfos de primeira linha. O cannhoto paulista já deixou para trás Cássio Motta (108) e Kirmayr (134), podendo alcançar brevemente Koch (150). Mais distantes estão Mattar (191) e Meligeni (202). Inalcançável mesmo é Guga, claro, com suas 358, sem falar na incrível qualidade de boa parte delas.

Não menos importante é o fato de que Bellucci poderá reaparecer no top 50 caso derrote Youzhny, sobre quem tem uma vitória (justamente a mais recente) em quatro tentativas. Nesta segunda-feira, o brasileiro ocupa o 58º posto e, com os pontos do quali, já pode ir a 55º. A vaga nas oitavas de final o levaria ao total de 853 pontos, o que equivale hoje ao 46º posto. Ou seja, teria ainda de torcer para que no máximo quatro concorrentes diretos se saia bem nos eventos da semana, o que não é tão difícil assim.

Por fim, se olharmos o ranking que só conta os pontos da temporada, Bellucci está entre os 75 primeiros, ou seja, é um ranking bem provável mesmo que não some mais vitórias e que não defenda seus resultados dos challengers de novembro do ano passado.

Aliás, não é só Bellucci quem anda mudando a história do tênis brasileiro. João Souza, o Feijão, em sua ótima fase nos eventos  ‘challenger’, se transformou na semana passada no quarto jogador nacional com maior número de vitórias nesse nível. Com 203 até o vice em San Juan de domingo, ele superou as 201 de André Sá e está perto de Thiago Alves (224), podendo alcançar Marcos Daniel (242) e o recordista Ricardo Mello (250) nas próximas temporadas. Embora, é claro, o que gostaríamos mesmo é ver Feijão saltar e ficar no padrão dos ATPs.

Mais importante do que o retorno de Souza ao top 100, como 97º colocado nesta segunda-feira, é o fato de que ele ocupa no momento a 86ª posição na temporada, apenas 76 pontos atrás do próprio Bellucci. Como ainda joga mais um torneio nesta semana, em Córdoba, e tem vaga praticamente assegurada no Challenger Finals do clube Pinheiros, Feijão tem enorme chance de fechar o ano pelo menos no top 75.