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Por José Nilton Dalcim - 18 de abril de 2014 às 19:45

O que parecia destinado ao segundo semestre, pode ser antecipado. Muito antecipado. A atuação ruim desta quinta-feira, que culminou com a eliminação precoce de Rafael Nadal em Monte Carlo, abre perspectiva de que a luta pela liderança do ranking aconteça em Roland Garros. Para isso, ainda é preciso que Novak Djokovic confirme agora seu favoritismo e seja bicampeão no saibro monegasco.

Se isso acontecer, a distância entre ambos cairá para a margem de 1.630 pontos e isso é o valor que mudaria a ordem do ranking caso Nole seja campeão em Paris em cima de Rafa (2.080). Observem que nem estou considerando o fato de que Nadal ainda tem que repetir a conquista de Barcelona, Madri e Roma, período em que o sérvio somou resultados fracos em 2013.

O jogo entre Ferrer e Nadal foi um tanto sonolento. Além das repetitivas trocas de bola, o número de erros foi excessivo – média de três por game – e houve muita insegurança dos dois espanhóis em todo o primeiro set. Ferrer se soltou no tímido tiebreak jogado por Nadal – sete pontos perdidos consecutivos! – e deveria ter fechado a partida com sonoros 6/2 não fosse a ansiedade natural que o acometeu na primeira oportunidade.

O mais intrigante disso tudo é que Ferrer nem vive sua melhor fase. Quebrou uma incômoda sequência de sete derrotas em finais de ATP em Buenos Aires, em fevereiro, mas logo depois machucou o adutor da perna esquerda, abandonou Acapulco e nem foi a Indian Wells. Jogou mais ou menos em Miami e então chegou a Monte Carlo, onde mostrou o tênis habitual na véspera, diante de Grigor Dimitrov.

A consequência da pior derrota sofrida por Nadal em Monte Carlo – e a mais contundente no saibro desde Roland Garros de 2009 – é o que quero observar. Não seria o caso de desistir de Barcelona, cuidar do eventual problema nas costas e se preservar para Madri e Roma? O quadro de inscritos na semana que vem lista Ferrer, Fognini, Robredo, Almagro, Gulbis, Dolgopolov. Imagino o desastre mental que seria uma nova derrota.

Ferrer, que merece elogios por ter sabido aproveitar as bolas curtas de Nadal, agora pega Stanislas Wawrinka e tem tudo a seu favor: a empolgante e histórica vitória de hoje, o retrospecto geral e no saibro, o piso mais lento. Stan e Milos Raonic fizeram para mim o melhor jogo do dia, principalmente pelo primeiro set tão bem jogado, e a lógica prevaleceu porque o suíço é muito mais tenista. Em sua melhor temporada, Wawrinka poderia muito bem aproveitar o momento e enfim ganhar seu primeiro Masters. Ele só fez duas finais até hoje, perdendo ano passado em Madri para Nadal e em Roma de 2008 para Djokovic.

A outra semi é um ‘revival’. Djokovic e Roger Federer farão o 34º duelo entre si, o que entra para o rol dos sete duelos mais constantes da Era Profissional, mesma quantidade de Sampras x Agassi e McEnroe x Connors. Federer tem mínimos 17 a 16, mas perdeu quatro dos últimos cinco duelos. Estão empatados por 3 a 3 no saibro, com 2 a 0 para o suíço em Monte Carlo.

Tudo interessante, mas retórico. Porque o fato é que nenhum dos dois jogou bem nesta sexta-feira, ambos escaparam na verdade de derrotas que pareciam iminentes. Jo-Wilfried Tsonga foi muito bem na combinação de agressividade-regularidade por dois sets, superado depois pela determinação do adversário e por certa lentidão nas pernas. Nole deu até sorte, quando a bola que daria a quebra e 4/3 no segundo set para o valente Guillermo Garcia-López saiu por muito pouco. Depois, ganhou confiança e atropelou. Mas a cena de sua automassagem no punho direito e as horas de fisioterapia que o impediram de dar entrevista oficial preocupam.

Federer atingiu hoje 950 vitórias na carreira e, embora seja extremamente difícil, tem a chance de anotar a marca histórica de 1.000 ainda este ano. Em toda a Era Profissional, apenas Jimmy Connors (1.253) e Ivan Lendl (1.071) superaram essa incrível barreira. Outro número que deve ser batido, esse mais rapidamente, são as 300 vitórias em nível Masters. Faltam agora apenas seis.

Desde Madri do ano passado, Djokovic disputou pelo menos as quartas de todos os Masters 1000, o que inclui seis semifinais e quatro títulos, sem falar no Finals de Londres que não entra na lista pelos critérios da ATP. Só ele pode impedir que Monte Carlo tenha um novo campeão.


Por José Nilton Dalcim - 16 de abril de 2014 às 18:24

O espanhol Rafael Nadal deve atingir nesta quinta-feira mais um feito extraordinário sobre o saibro. Se vencer o italiano Andreas Seppi – que ousou ganhar do espanhol em uma de suas melhores temporadas, em Roterdã de 2008 – , o canhoto de Mallorca anotará sua 300ª vitória sobre o piso de terra batida.

Para se entender como a marca é notável, observe-se que apenas 22 tenistas em atividade no circuito tiveram 300 vitórias somando-se todos os pisos possíveis. E notem ainda que jogadores de grande currículo e considerável anos de estrada nem chegaram lá, como Jo-Wilfried Tsonga (295), Gael Monfils (291), Juan Monaco (286) ou Marin Cilic (275).

Outro parâmetro curioso é que quatro espanhóis lideram o ranking de vitórias sobre o saibro entre os que estão em atividade. Atrás de Nadal, estão David Ferrer (268), Nicolás Almagro (237) e Tommy Robredo (236). Só então aparecem o argentino Juan Monaco (200) e o suíço Roger Federer (191).

Nadal, é claro, tem superfavoritismo contra o versátil Seppi. O espanhol levou um susto na estreia em Mônaco, dominado por um começo de partida fulminante de Teymuraz Gabashvili. Mas bastou um ponto para mudar a história do jogo: o russo tinha 3/1 e break-point, Nadal foi à rede e ele escolheu mal a passada (optou pela paralela ao invés de um lob) e daí em diante o jogo mudou radicalmente.

Bem interessante deverá ser o duelo entre Ferrer e Grigor Dimitrov. O búlgaro se enrolou todo para ganhar apertado do canhoto Albert Ramos e tenta repetir as quartas do ano passado no Principado, podendo reencontrar Nadal na mesma rodada. O jogo de um ano atrás foi duro, o búlgaro chegou a fazer 6/2 antes de perder por 6/4 no terceiro.

Outro grande jogo prometem os backhands simples, agressivos e plásticos de Stan Wawrinka e Nicolás Almagro. O suíço atropelou Marin Cilic: será o efeito Copa Davis? Quem vencer, terá Tommy Robredo ou Milos Raonic. O experiente espanhol teve grande reação contra Julien Benneteau e o canadense me surpreendeu com backhand muito mais firme do que habituamos a ver.

Fico bem curioso para ver como será Tsonga x Fabio Fognini. O francês sabe se virar no saibro e está precisando muito de resultados sólidos na temporada. O italiano é um dos poucos que correrá por fora nos grandes torneios europeus. O vencedor deverá ter Roger Federer, porque é muito pouco provável que Lukas Rosol consiga fazer mais que Radek Stepanek, batido em pouco mais de 50 minutos em partida quase sonolenta.

Por fim, Novak Djokovic e Tomas Berdych estão perto do previsível duelo de quartas de final. O sérvio deixou muita gente preocupada com o revelado problema no punho direito. Se não for nada expressivo, passará pelo inexperiente Pablo Carreño. Já o tcheco precisa de mais cuidado com outro espanhol, Guillermo Garcia-López, que venceu seu sétimo jogo seguido. Vem do título em Casablanca e vitória indiscutível sobre o irregular (e decepcionante) Alexander Dolgopolov.

Roland Garros – Saíram as listas de inscritos diretos para o Aberto da França e podemos considerar dois brasileiros garantidos, um em cada chave: Teliana Pereira disputará seu segundo Grand Slam e Thomaz Bellucci está virtualmente dentro porque, embora tenha ficado um posto fora, existe no mínimo a ausência prevista do argentino Juan Martin del Potro, que operou o punho esquerdo.

Teliana quebrará assim mais um tabu para o tênis feminino brasileiro, já que não disputávamos a chave principal de Paris desde 1990, quando Andrea Vieira e Luciana Corsato entraram e pararam na estreia. A última vez que ganhamos um jogo no saibro francês foi em 1989, ano em que Dadá e Niege Dias atingiram ao mesmo tempo a terceira rodada. Bons tempos…


Por José Nilton Dalcim - 14 de abril de 2014 às 20:49

As estrelas começam a estrear nesta terça-feira em Monte Carlo, um torneio que ficou bem equilibrado após o sorteio da chave principal. Há bons obstáculos para o espanhol Rafael Nadal – Pablo Andujar, David Ferrer ou Grigor Dimitrov – antes de um possível duelo com Stan Wawrinka, que por sua vez pode encarar Marin CIlic, Nicolás Almagro e Tommy Robredo. Na parte inferior, Novak Djokovic parece menos ameaçado, talvez por Alexander Dolgopolov, enquanto Roger Federer possivelmente cruzará com Fabio Fognini ou Jo-Wilfried Tsonga.

Vamos aproveitar então para ver fatos que marcam Monte Carlo e o saibro europeu:

* Djokovic defende uma série notável de resultados em torneios de nível Masters, tendo vencido os quatro últimos (Xangai, Paris, Indian Wells e Miami), além do Finals de Londres. Chega a Monte Carlo com 26 jogos de invencibilidade em torneios desse nível.

* Abril é o mês de maior produtividade de Nadal, já que faturou 15 de seus 62 títulos, à frente de maio (11). A série de 81 jogos sem derrota em abril de cada ano foi quebrada pela queda diante de Djokovic na decisão de Monte Carlo do ano passado. Rafa tem vencido ao menos um torneio em abril desde 2005.

* Nadal só perdeu dois de 50 jogos em Monte Carlo. O primeiro foi em 2003, seu primeiro ano como profissional no circuito, diante do argentino Guillermo Coria, a quem superaria na decisão de 2005 em quatro sets.

* A lista de outros tenistas que conseguiram tirar set de Nadal no Principado inclui apenas e tão somente Grigor Dimitrov (2013), Andy Murray (2011), Federer e Gastón Gaudio (2006) e Richard Gasquet (2005).

* Nenhum tenista profissional venceu nove vezes um mesmo torneio. Nadal e Guillermo Vilas são os únicos a ter oito: o espanhol em Monte Carlo, Barcelona e Roland Garros; o argentino, em Buenos Aires. Rafa ainda tem sete em Roma, marca igual à de Federer e Sampras em Wimbledon.

* Três jogadores poderão registrar marcas importantes nesta semana: Nadal está com 298 vitórias sobre o saibro, Tsonga tem 295 na carreira e Federer, 947.

* Monte Carlo pode ser o título de número 100 para Mike Bryan, o que o tornará apenas o segundo homem na Era Profissional a ter uma contagem de três dígitos. O outro é Jimmy Connors, com 109 de simples. No feminino, Navratilova (167 em simples e 177 em duplas), Chris Evert (154 em simples), Steffi Graf (107 em simples), Rosie Casals (112 em duplas), Pam Shriver (106 em duplas) e Billie Jean King (101 em duplas) obtiveram o feito.

Dados curiosos sobre o saibro
- Almagro é quem mais somou aces ao longo da carreira: 2.345 contra 1.798 de Carlos Moyá. Em quarto, aparece Guga Kuerten (1.552)
- John Isner é quem tem o melhor índice de games de serviço vencidos (89%, porém em 57 jogos). Nadal é o quarto (85% em 302), à frente de Federer (84% em 234).
- Nadal lidera em break-points convertidos, com 50%, seguido por Andrei Chesnokov e Coria.
- Vilas é o recordista de títulos no saibro na Era Profissional (46), feito que pode ser igualado e ultrapassado por Nadal nesta temporada (43).
- No quesito jogos vencidos no saibro, Vilas está muito distante: 644, mais do dobro de Nadal (298), que é o maior em atividade e o 10º no geral.
- No percentual de vitórias, Nadal é disparado o mais bem sucedido: 93,42% (298 vitórias e 21 derrotas), contra 86,58% de Borg e 81,44% de Lendl. Em sexto, aparece Djokovic, com 77,38%.
- Nadal tem 18 troféu de nível Masters no saibro, contra oito de Borg e seis de Federer, Lendl e Muster.