Blogs > Blog do Tênis
A-  A+
Por José Nilton Dalcim - 27 de março de 2015 às 10:06

Thomaz Bellucci enfim venceu. Mas que sufoco. Depois de um primeiro set bem razoável, em que mostrou maior consistência ainda que tenha deixado escapar uma vantagem construída na metade do set, viveu a costumeira montanha russa que vem mostrando na temporada. Bons pontos, péssimas escolhas, saque eficiente, falta de confiança, muita bola parando na rede, winners, backhands descalibrados, voleio genial.

O importante foi que Bellucci encontrou um adversário também muito irregular, por vezes sem potência, provavelmente fruto de um ritmo já menor de treinamento e dedicação, já que o australiano Lleyton Hewitt encaminha o fim da carreira. Se o brasileiro cometeu 71 erros, o ex-número 1 que preza pela regularidade falhou 61 vezes. Quem não assistiu até o final das 3 horas de duelo, já pode imaginar o que foi o jogo de três sets bem apertados, média de quase quatro erros por game.

O outro ponto positivo foi que Bellucci vibrou, brigou consigo mesmo, não se conformou com os altos e baixos, procurou uma solução depois de sair com uma quebra atrás no terceiro set e mais tarde, após abrir 4/2, ainda permitir reação e empate. Com um dia de descanso e agora mais confiante, pode muito bem dar trabalho ao uruguaio Pablo Cuevas, um dos cabeças mais ganháveis, backhand simples e longe de ser especialista no piso duro.

A primeira rodada masculina em Miami, ainda sem os favoritos e estrelas, premiou a nova geração. Ao já realidade Borna Coric, se juntaram promessas como Alexander Zverev, Andrey Rublev e Hyeon Chung. Talvez apenas Coric consiga dar mais um passo, já que pega o belga David Goffin em fase fraca, mas de qualquer forma é muito bom ver tantos rostos juvenis num torneio de tal magnitude.

Aliás, Maria Sharapova foi vítima de uma dessas novidades do circuito, a ex-líder do ranking juvenil Daria Gavrilova, 22 centímetros mais baixa e com um jogo inteligente, que não deu qualquer ritmo à número 2 do ranking. Mas o fato é que Sharapova desandou depois das duas finais na Austrália, em janeiro. Abandonou a semi de Acapulco e perdeu da veterana Flavia Pennetta na Califórnia. Está seguindo os passos do namorado Grigor Dimitrov, mestre da inconstância.


Por José Nilton Dalcim - 24 de março de 2015 às 11:20

Do clima desértico do deserto californiano, onde a bola voa, para a umidade do litoral da Flórida, que faz tudo ficar tão lento como um saibro de inverno. Não é a velocidade em si do piso que faz tanta diferença, mas o ar carregado, que segura muito mais a bola e exige trocas, paciência e muita perna.

Novak Djokovic salta imediatamente como favorito. E pode tentar pela terceira vez em cinco anos a façanha de ganhar Indian Wells e Miami seguidamente, como em 2011 e 2014. Também venceu lá no começo da carreira, em 2007, e depois em 2012, além do vice em 2009.

Não bastasse isso, seu mais direto concorrente, Rafael Nadal, tem um trauma no torneio que mais fala espanhol do que inglês. Perdeu todas as quatro finais que disputou, duas delas para o próprio Nole, que também superou Rafa nas quartas de 2007. A outra força historicamente é Andy Murray, vencedor num longínquo 2009 e depois em 2013, com três derrotas em quatro duelos contra o sérvio.

Diante da atual fase técnica e emocional dos três, impossível imaginar outro homem erguendo o troféu daqui a 10 dias. A formação das chaves colabora ainda mais, reservando a Djokovic uma possível sequência de cruzamentos contra Gilles Muller, Pablo Cuevas ou Tommy Robredo, Gilles Simon ou David Ferrer. O único que poderia sonhar em dar trabalho é o gigante Ivo Karlovic, mas as condições não lhe são muito favoráveis em Miami.

O outro semifinalista na parte de cima tem candidatos como Kei Nishikori, Milos Raonic, John Isner e até Grigor Dimitrov. O japonês me parece o único com capacidade física e mental para tentar barrar Djokovic. O canadense teria de estar inspirado ao extremo.

Nadal, Murray, Stan Wawrinka e Tomas Berdych ficaram embaixo. Rafa deve pegar Almagro, depois Verdasco e Garcia-López, autêntico campeonato espanhol. Não pode reclamar da sorte. Mas aí poderá vir Berdych e a dificuldade aumenta exponencialmente. Murray tem caminho aberto até as quartas contra Wawrinka, mas desses dois podemos esperar tudo, do espetáculo ao desastre, e isso entre um set e outro.

Bellucci pegou Lleyton Hewitt e vejo boa chance de ganhar uma partida de peso, o que precisa para se recuperar. O australiano se despede do circuito e não joga desde Melbourne. Adora o piso duro. Daí uma vitória brasileira seja valiosa às vésperas do saibro europeu. Em seguida, viria Pablo Cuevas, um dos cabeças mais vencíveis.

Juan Martin del Potro enfim volta, mas será duro encarar Vasek Pospisil. Iniciando enfim a temporada, Jo-Wilfried Tsonga aguarda Tim Smyczek ou um quali, depois quem sabe Gael Monfils. Qualquer coisa mais que isso será um tremendo resultado.

À venda – Oito meses antes, os ingressos para o Finals de Londres começam a ser vendidos nesta terça-feira pela internet. Claro que os promotores têm uma vantagem significativa: sabem que lá deverão estar os oito melhores do ranking de simples, as oito mais bem pontuadas duplas, e o espectador pode comprar seu ingresso de olho fechado. O torneio começa domingo, dia 15 de novembro, e tem ingressos separados para sessões diurnas (12h locais para dupla, seguida de simples) e noturnas (18h locais, também uma dupla e uma simples).

Os preços são incrivelmente atraentes para quem se antecipar e começam com 5 libras (perto de R$ 22) na fileira mais alta, que é alta mesmo. Quem quer sentar pertinho da magnífica quadra, no Level 1, pode comprar a 33 libras (cerca de R$  138) na sessão diurna do primeiro domingo. Em todas as transações, há uma taxa de 1,5 libra (pouco mais de R$ 6). Para as semifinais de sábado, hiperrnobres, começa em 29 libras e pode chegar a 106. Os ingressos para a final de domingo ainda não estão à venda.

Realizado na imponente arena O2 desde 2009, o torneio dos mestres quebrou recorde de público no ano passado, com 263,5 mil ingressos vendidos, o que é metade do que se arrecada num Slam como Paris ou Wimbledon, que tem duas semanas de duração e comportam o dobro de público diariamente.

Para saber mais dos ingressos e quem sabe tentar a compra, entre no site oficial.

Desafio – Decisão apertada no desafio para a final de Indian Wells entre os internautas do Blog. Débora Soares levou o brinde da Editora Évora, ao cravar o placar de 6/4 6/7 6/4 no seu palpite, errando apenas um game no primeiro set e dois no terceiro, além de cravar 55 winners, somente dois a menos do que o total da partida. Ela escolherá entre as biografias de Novak Djokovic e Roger Federer, dois grandes sucessos da editora.


Por José Nilton Dalcim - 23 de março de 2015 às 0:38

Se Roger Federer se valeu do piso mais veloz de Dubai para dar uma exibição, Novak Djokovic respondeu à altura neste domingo e confirmou, pelo segundo ano consecutivo, sua superioridade sobre o suíço na quadra um tanto mais lenta de Indian Wells. Dois capítulos de grande qualidade técnica dos melhores tenistas sobre o piso sintético do tênis atual.

Djokovic começou a ganhar o jogo ao trabalhar muito bem com o saque, bem diferente do que aconteceu em Dubai. Foi algo essencial até a metade do segundo set, porque ele contou também com o fato de que o adversário devolver com menor eficiência do que ele. Talvez pressionado por isso, Federer não conseguiu sacar bem no primeiro set e se viu acuado no fundo de quadra, sem achar um jeito de ir à rede.

Depois houve mais competitividade, ainda que o sérvio tenha sempre dado as cartas. Federer lutou, é verdade, daí os méritos de ainda reagir no segundo set, a partir de uma jogada espetacular de defesa e contraataque. Depois acabou ajudado é claro pela incrível quantidade de duplas faltas do cabeça 1 em pleno tiebreak.

Mas ainda assim o jogo estava bom. Para surpresa geral, Federer conseguia encarar Djokovic até nas trocas mais longas, com um backhand solto, e aí aconteceu sucessão de quebra, ótimos lances, emoção. Ao fazer 4/2, no entanto, o sérvio selou o destino do resultado. Notável a forma com que foi sólido no fundo e a intensidade que manteve. Jogou e venceu como um digno líder do ranking, exuberante na capacidade técnica e física, gigante na determinação.

Nole é automaticamente o favorito absoluto para Miami. Sem Federer, o cabeça 2 será Rafa Nadal e não seria exagero antever um reencontro entre ele e Djokovic, já que Miami se encaixa tão bem no estilo de ambos. A chave só sairá na segunda-feira, mas parece haver pouca gente gabaritada a surpresa na lenta umidade de Key Biscayne.

A chave feminina de Indian Wells ficou com a romena Simona Halep, num torneio atípico. Primeiro, derrota muito precoce de Maria Sharapova. Depois, o abandono de Serena Williams sem entrar em quadra. Confesso que torci para Jelena Jankovic sustentar a vantagem que tinha na final de hoje. Gosto de ver que a sérvia continua tentando evoluir, ser agressiva, ir à rede. Mas ao mesmo tempo é inegável a cabeça fria e a capacidade de reação de Halep, que joga muito mais do que a atenção que se dá a ela.

Por fim, vale mencionar a campanha vitoriosa de Orlandinho Luz no Internacional de Porto Alegre. Ainda que ele já pareça bom demais para jogar torneios juvenis fora dos Grand Slam, o ponto alto é a paixão com que os gaúchos olham para seu fenômeno. Cerca de 1.500 pessoas lotaram o Leopoldina Juvenil para ver e torcer pelo garoto, um público respeitabilíssimo para torneios brasileiros e incalculável para um evento não profissional.

Além do jogo alegre e vistoso, Orlandinho passa em mais um teste, o da pressão, o da cobrança, nesta altura inevitáveis para quem tem chamado a atenção até de treinadores estrangeiros. Sem trocadilhos, temos uma luz no fim do túnel.